Especialista fala sobre o futuro da Internet das Coisas

Segundo Ronaldo Marques, Líder de Desenvolvimento de Negócios de Canais da IBM do Brasil, o futuro dos negócios será drasticamente alterado assim que a Inteligência Cognitiva estiver conectada às coisas

Sabemos que o potencial disruptivo da Internet das Coisas (ou IoT, na sigla em inglês) é imenso. Em textos anteriores publicados no Blog da Magna, mostramos como este conjunto de tecnologias pode ajudar na gestão de ativos públicos e na gestão patrimonial, inclusive com exemplos de projetos do tipo já rodando e dando resultados no Brasil.

Essa capacidade é ainda mais ampla quando a Inteligência Cognitiva, cujo maior expoente é o Watson da IBM, entra na equação. Imagine sistemas inteiramente conectados por meio de sensores e que, se valendo dos dados coletados, são capazes de aprender e prever eventos futuros, além de se comunicar de forma cada vez mais natural com os humanos.

Trata-se de uma mudança completa das soluções de tecnologia hoje oferecidas e do próprio modo de se fazer negócios ao imprimir inteligência e cognição em todo e qualquer sistema. Este é o futuro antevisto por Ronaldo Marques, Líder de Desenvolvimento de Negócios de Canais da IBM do Brasil, que concedeu uma entrevista exclusiva para o Blog Magna durante uma visita à MAGNASistemas.

Leia abaixo os melhores momentos da entrevista com o executivo da IBM

Blog da Magna: Por que IoT é um elemento importante para a Transformação Digital das organizações?

Ronaldo Marques: A diferença da onda de desenvolvimento tecnológico anterior para esta com IoT envolvida é que os usuários na ponta não são só empresas. A revolução digital em si é ter cloud, APIs, Inteligência Cognitiva etc, tudo empacotado para oferecer infraestrutura para que o cliente desenvolva a revolução. Um exemplo é o da indústria automobilística, que normalmente só usa 25% da informação que tem sobre cada cliente, não sabe o tipo de preferência por pneu, combustível etc. Diferente de um fato que aconteceu dias atrás, quando entrei em uma rede varejista  e comecei a receber promoções pelo celular. A loja interagiu comigo. Ou seja, quanto mais eu conversar com o cliente, mais vou entender. Já existem tecnologias que suportam isso, a grande diferença é o lado cognitivo. A transformação analítica já fazia parte disso, mas são tecnologias que analisam comportamentos, não tendências, não descobrem o que tem de novo.

Blog: IoT gera uma infinidade de dados que precisam ser bem tratados, o que até aqui tem sido feito com Analytics e BI. Inteligência Cognitiva é o próximo passo? Por quê?

Marques: Não é só isso. O dado em si, estruturado, é uma coisa que as empresas conhecem. O grande diferencial está no dado não-estruturado. Como pegar as informações no WhatsApp ou Facebook? Esses dados são 80%. Se você não trata nem 20% bem, imagina os demais 80%. Isso é muito mais que simplesmente o BI. É identificar comportamentos e descobrir novas oportunidades de negócio. A Inteligência Cognitiva é a possibilidade de trazer essa informação para que alguma entidade consiga extrair essa inteligência e tome ações de forma rápida. Não há mais como levar dois ou três dias para obter uma resposta. Tem que ser em tempo real. Por isso a cloud é importante. Sem ela não tem nada disso. Quando você fala da Revolução 4.0 ou Digital, o pressuposto é que a cadeia de fornecedores esteja dentro desse ecossistema. Sem cloud é impossível. Por isso o Watson é uma API, todo mundo usa.

Blog: Todo mundo usa? Qual o nível de adoção do Watson atualmente?

Marques: Tem uma camada grátis do Watson que muita gente está usando. Ele está em muitos processos em inovação. Um projeto da Whirlpool, por exemplo, queria diminuir o custo de manutenção de algumas lojas que tinham máquinas ociosas. Não havia um serviço que pudesse prever máquinas paradas em determinadas regiões. Eles usaram a tecnologia Cognitiva e IoT para trazer essa informação e tomar ações mais rápidas. Com serviços preventivos e corretivos conseguiram economizar 20% e descobriram outro volume de dados: começaram a vender informações para quem vende sabão. Isso é um novo negócio: a venda de conhecimento. Tem outros N exemplos. A BMW instalou mais de 200 sensores em uma série de veículos totalmente inteligentes, que fornecem informações sobre tudo o que acontece com os carros. Se a bateria está sendo consumido, que tipo de direção o motorista faz etc. Desta forma, a BMW consegue entender o comportamento e recomendar a manutenção no tempo correto de acordo com o perfil daquele consumidor. É um novo tipo de negócio, uma transformação muito grande. A indústria automobilística não vive mais sozinha, inúmeras outras interagem para prestar um novo tipo de serviço. A IBM está nesse ponto, agregar cada vez mais processos para que se possa desenvolver coisas diferentes. Não existe indústria 4.0 sem compartilhar informação.

Blog: A IBM tem uma plataforma de Inteligência Cognitiva para IoT, a IBM Watson IoT Platform. Quais as vantagens dessa solução?

Marques: Cognitivo está em todas as áreas da IBM, temos aplicações em IoT há mais de 30 anos. Mas ser inteligente não quer dizer cognitivo. O Cognitivo permite

adicionar as capacidades que chamamos de preditivas, com o uso de algoritmos avançados de Inteligência Artificial (IA) e machine learning, possibilitando a antecipação de falhas de maneira muito mais inteligente e eficiente; analisa tendências de quando determinado tipo de coisa começa a mudar para melhor ou pior; sabe quanto isso impacta na eficiência operacional. Esse tipo de informação tem um valor muito maior para o negócio das empresas. Vão ser três tipos de companhia no futuro: um que provê experiências, desenvolve e vende como serviço; outro que provê tecnologia; e os provedores de ativos. Esse é o ecossistema do futuro que terá que ser gerenciado de acordo com a estratégia de negócios. Antigamente havia uma cadeia distribuída e descentralizada, hoje ela é muito colaborativa.

Blog: A tecnologia já é usada no Brasil? Algum caso de sucesso que você possa citar?

Marques: Algumas indústrias estão mais avançadas no processo de inovação, o que tem relação com seus próprios modelos de negócio. Os setores financeiro, de telecomunicações e de serviços estão crescendo na adoção de algumas tecnologias que têm a ver com IoT, como blockchain para certificação de processos e confiança da origem, por exemplo. Estas tecnologias também estão fortes no agronegócio, gestão de pessoas, saúde e no processo de eficiência operacional, em que a Magna possui excelência. Um dos usos interessantes é a gestão da saúde de idosos. Temos parceiros fazendo monitoração de batimentos cardíacos, pressão arterial, quedas, movimento.

Blog: E como tem sido a parceria com a MAGNASistemas? Quais os diferenciais da companhia?

Marques: É uma parceria de mais de 15 anos. A Magna é um dos maiores integradores IBM no Brasil. Não há nenhum tipo de solução da IBM que a Magna não integre. É uma parceria extremamente estratégica e que já ganhou vários prêmios. A empresa é pioneira em cidades inteligentes, está por trás dos maiores projetos no Brasil. Eu diria que a IBM fornece muitos recursos de certificação, e a Magna certifica muita gente. É um dos maiores  parceiros da IBM na América Latina.

Blog: As duas empresas já comercializam soluções de IoT Cognitivo no Brasil?

Marques: Na prefeitura de São Paulo a Magna está fazendo toda a gestão de zeladoria e do Centro de Despacho da CET, que gerencia o tráfego na cidade. É um projeto de dois anos. O roadmap de desenvolvimento é muito grande. Vamos iniciar uma fase de zeladoria de todos os ativos de trânsito na cidade de SP, sinalização vertical e horizontal, de pista etc. Tudo gerenciado pela mesma solução. Vamos ainda gerir todas as árvores, aí entra IoT, cognitivo e predição. Se ventar demais a gente vai saber as árvores que inclinaram. A IBM adquiriu a Weather Company, e a ideia é trazer predição de chuvas para dentro da solução, fazendo a gestão de árvores e da defesa civil. Isso começou em 2016, havia um projeto chamado Chuva de Verão que incluía bombeiros, CET, defesa civil e zeladoria. Eles olhavam para a solução e sabiam quem acionar quando caia uma árvore, ou em um evento de alagamento, inundação etc. Isso vai ser expandido para a cidade de São Paulo, trazendo indicadores para o prefeito.

Blog: E para onde caminha a parceria?

Marques: O foco da IBM é ampliar cada vez mais soluções cognitivas e de IoT em mercados com potencial e que precisamos desenvolver, como facilities, gestão de espaços e pessoas. A Magna tem no portfólio todas as verticais da IBM, e quando falamos de soluções para cidades inteligentes, não é só Inteligência Cognitiva, há uma série de artefatos que compõe uma solução única. Estamos 100% dentro da estratégia da Magna para o futuro.

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